De vez:

Não sei aonde vai chegar
Antes de se perder
Quando o tempo acabar
E você nem perceber

Quando parar de checar
A cada instante o coração
Por que não se apaixonar
Se não consegue ouvir um não

Cada vez que se sente só
Pensa em um milhão de razões
E cada vez que vai além
De suas conexões

Não pode ser mais
Do que seus olhos podem ver
Ou partiras teu coração
De vez

Mas não vai pensar
No que pode acontecer
Quando se encontrar
Mais uma vez

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Confusão:

Me perco nessa confusão
Mas já é hora de parar seu coração
Ninguém pode me impedir
Mesmo que depois do fim
Não houver pra onde ir

Sabe bem como é o amor
Quase sempre chega sem pedir
Mas não posso mais deixar
Já cansou, já desisti
Chega de fingir

Será que é tão difícil perceber
Que os meus olhos são o mar
De alguém que afundar sem saber
Onde vai parar

Sera que já não basta de dizer
Que teus princípios podem mais
Já não viu demais sentimento morrer
Descanse em paz…

Pecaminar:

Trancada no meu quarto
Às duas da manhã
Perdida em mal falados
Tentando não desabar

Vá se embora, enquanto durmo
Sonho cortante, a desandar
Pupilas dilatadas, perde o rumo
Meu querer, pecaminar

No lugar, não se saberes
No buscar, não encontrar
Teu pudor, não lhe ferires
Meu cair, não levantar

Vá nadar, contra a corrente
Vá buscar teu ancorar
Em mal dizeres, perante sente
Nos caos passados, desandar

Olhos castanhos

Enquanto o céu chora no horizonte
O lápis chora no papel
Na troca de olhar, se esconde
Na falta de estar, cruel

Na mente que vinga, perdi
Caminho perdido, me achei
Em olhos castanhos, me vi
Nas luzes queimadas, guardei

Vagando no escuro, cai
De queda em queda, parei
Em olhos castanhos, perdi
Nas águas passadas, voltei

Em pétala murcha me fiz
Pra encontrar um rumo, calei
Em olhos castanhos, já quis
E o mundo da volta, outra vez

Mente sã

Se perder é a melhor forma de se encontrar
Largar velhos hábitos
Disparar
Enquanto o tempo voa, e a noite é uma criança

Mergulha no teu orgulho
Pra achar onde se perdeu
Nas vésperas do acaso
No riso, que não é seu

Mergulha no teu espelho
Pra ver o que o mundo tem pra mostrar
Porque ninguém, literalmente ninguém
Você, por onde anda agora

Se levando pela correnteza
Uma hora encontra terra firme
Se até a vida é passageira
Porque espera que fiquem?

Escape

Não deveríamos lutar pelo amor
Que amor é esse que não pode ficar
Que no espelho, intenso, quer ferir teu pudor
No lugar do agora, quer fazer esperar

No olhar passado, não pode esquecer
No lugar do sempre nunca quis estar
Prefere a solidão que se deixar querer
Num oceano infinito, a afundar

Num trem imenso, a seguir
Nos vagões tormentos, a se olhar
Num balão sem vento, a cair
A cair no eco do lembrar

De todo caos, se despedir
E em outros planos, se encarar
Sem olhar futuro, explodir
Válvula de escape, não pensar.

Vastidão

Se no entanto, quis partires
Porque ainda, aqui estas
Jaz no fogo, mal dizeres
Jaz no acaso, mal buscar

Luta ao livre, codinome
Vaga ao fim, sem se saber
Vá se embora, perante some
Jorre ao mar, o teu querer

Quem socorre, o mar que jorra
Na imundice que vive em vão
De águas salgadas, perante chora
Perante jorra, imensidão

Que faz no altar, o precipício
Embora jaz, sabor do não
Sem escaldar, o teu oficio
Teu precipício, coração.